Falar e ser ouvido: as virtudes do diálogo – Caio Rodrigues

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Falar e ser ouvido: as virtudes do diálogo.

A comunicação, o diálogo, a conversa, troca de ideias, emissor, meio, conteúdo e receptor. Inúmeras são as maneiras de falar sobre o “falar”, ação que realizamos todos os dias com nós mesmos e com todos a nossa volta, e é dessa grande forma de interação que os seres humanos forjam o planeta Terra. Falemos então deste ato que é comunicar-se com o outro, dialogar.

O diálogo necessariamente deve ter um sentido, um objetivo, ele deve criar alguma coisa para o bem comum. Para tanto é preciso um exercício de cooperação, mesmo que as ideias de cada um sejam divergentes. Essa cooperação pressupõe uma inexistência de autoridade, ou seja, toda opinião deve ser tratada como igual entre os participantes. Nietzsche (1844-1900) diria que “quem não sabe pôr no gelo seus pensamentos não deve se entregar ao calor da discussão”. Hoje a discussão é levada como um conflito entre as partes, mas no contexto de interação pessoal o que seria ela senão o próprio diálogo?

Yves de La Taille em seu livro “Formação Ética. Do tédio ao respeito de si” (2009) cita três virtudes obrigatórias para a relação de cooperação: clareza, precisão e rigor. A clareza, consiste em abandonar o próprio ponto de vista para procurar compreender o ponto de vista alheio. A precisão, por sua vez, visa expressar nossas ideias da forma mais clara e inteligível possível. E o rigor leva-nos a compartilhar conceitos, para que um conceito tenha o mesmo sentido para os diversos interlocutores.

A opinião em um diálogo é de extrema relevância, Nietzsche nos ensina que “é frequente contradizermos uma opinião quando, na realidade, apenas o tom com que foi exposta nos é antipático”. Além disso quando uma parte muda de opinião em um diálogo isso deve ser explicitado e aceito pelo outro. Essa visão é corroborada por David Bohn em seu escrito “O Diálogo” (1989), onde ele nos fala o objetivo do ato de se comunicar: “Em um diálogo, ninguém está tentando ganhar. Todo mundo ganha se alguém ganhar. (…) sempre que um erro é descoberto por parte de alguém, todo mundo sente ter ganho.”

Além das três virtudes necessárias ao diálogo, La Taille também aponta três outras que são úteis a ele: a paciência, a simplicidade e a humildade. A paciência deve ser utilizada para acalmar os ânimos e nos ajudar a chegar em um objetivo comum. A simplicidade nos orienta para as explicações corretas do assunto em questão, não adianta procurar soluções complexas que ninguém entenda. O diálogo é facilitado pelas soluções simples. Já a humildade é definida pelo autor da seguinte maneira: “ser humilde é aceitar o que se poderia ou pretendia fazer. Ser humilde é se dispor a constatar a distância que há entre a realidade e os ideais. Portanto, ser humilde não é se privar de autoestima, mas sim avaliá-la à luz de seu real valor.”

 A humildade, então, é importante para reconhecer os nossos erros e os erros do outro, e realizar uma ação cooperativa, construindo um resultado positivo. Mesmo que a solução encontrada em um diálogo dificilmente seja uma solução definitiva.

Concluindo, um bom diálogo cooperativo é feito de virtudes. As virtudes necessárias são clareza, precisão e rigor. E as úteis são paciência, simplicidade e humildade. Esses pontos podem auxiliar em qualquer tipo de comunicação seja no espaço privado, como entre familiares, ou na esfera pública, como uma palestra ou mesa redonda.

 

Caio César Coelho Rodrigues

Graduando em Administração.

ESALQ – Universidade de São Paulo.