O papel da comunicação na sociedade contemporânea atingiu uma relevância sem precedentes, permeando não apenas o campo profissional, mas também o cotidiano de cada indivíduo. Com o advento das redes sociais, uma parcela significativa da população se transformou em produtora de conteúdo, exigindo um aprimoramento constante das estratégias de comunicação. No entanto, é no âmbito político que a discussão ganha profundidade histórica e científica.
A política e a comunicação estão indissociavelmente ligadas desde a Antiguidade. O político, por essência, sempre precisou ser um comunicador nato, capaz de representar ideias, conceitos e formas de gestão que atendessem aos interesses de seu público. Essa conexão remonta a Aristóteles e sua obra “A Retórica” (aproximadamente 300 anos a.C.), na qual ele estabeleceu os três pilares que regem o processo comunicativo e que se mantêm atuais: o Ethos (a reputação e as características de quem fala), o Pathos (a sensibilidade e a reação do público) e o Logos (a construção e a estruturação lógica do discurso, que deu origem à Semiótica e à produção de sentido).
O que se observa na comunicação política atual, contudo, transcende a mera performance ou a superficialidade do conteúdo. Estamos diante de uma questão fundamentalmente científica, ancorada nas ciências comportamentais. É imperativo compreender como o público interpreta o conteúdo antes de reagir a ele. A ausência dessa base científica leva à proliferação de práticas rasas, caracterizadas pelo que se pode chamar de “vendedores de soluções mágicas” – profissionais que se comunicam bem, mas oferecem estratégias vazias ou promessas inalcançáveis.
A demanda por profissionais gabaritados, com conhecimentos que unam a teoria e a prática, é crescente. Felizmente, o Brasil oferece hoje um ambiente de aprendizado diversificado, com escolas, seminários e palestras, um avanço significativo em comparação com a escassez de conhecimento disponível nos anos 90. Esse cenário de formação deve muito à iniciativa da academia, que, na figura de pioneiros como o saudoso professor Marcos Figueiredo (IUPERJ), introduziu e aprofundou a discussão sobre o comportamento eleitoral no país.
A comunicação política é um instrumento sério que contribui para a qualidade da democracia, aproximando a voz cidadã da voz política. Ela não pode se sustentar apenas no volume da fala, mas sim na sua essência. A excelência reside no casamento da ciência comportamental com as práticas cotidianas dos profissionais de comunicação. Habilidades teóricas e práticas são distintas, e sua união estratégica é o que confere qualidade e profundidade à comunicação na política brasileira.